quinta-feira, 24 de outubro de 2019

A curiosidade da Amizade entre as mulheres

Sou um cara difícil de reconhecer ou externar meus sentimentos para as pessoas, mas de algumas pessoas eu gosto, e em especial, dos meus amigos. Não ganho absolutamente nada deles e as vezes até tenho gastos, mas ainda assim gosto deles. Um grupo de barbados, que atuam nos mais diferentes ramos da nossa dita classe trabalhadora do Brasil varonil ou até fora dele. Alguns deles eu vejo bem pouco, uma vez por ano talvez, outros nem vejo. Outros estão comigo quase toda semana. Também passamos semanas sem nos falar. Mas o interessante é que não importa a frequência, a intensidade é sempre a mesma quando nos encontramos.

Já aconteceu, por exemplo, de após quase um ano sem me ver, um deles aparecer na semana do meu aniversário e passar um dia de resenha comigo. Não fizemos carnaval, não nos abraçamos diferente,  nem trocamos palavras bonitas, mas a felicidade era inegável e pública, e a resenha estava garantida. Um outro amigo casou. Eu nem conhecia a namorada dele. Ai ele me chamou para o casamento, por mais que eu seja avesso a festas, eu fui e até toquei. Foi uma noite nostálgica. Já mandei uma mensagem esculhambando um deles do nada, só porque deu vontade. Rimos naquelas frases de esculhambação e continuamos proximamente distantes, como sempre.
Os grupos em comum as vezes passam por um hiato, mas quando alguém resolve falar, relembramos histórias vividas ou nos zuamos como se ainda estivéssemos compartilhando da convivência.

Hoje, pensando sobre as minhas amizades, ponderei sobre as amizades femininas e masculinas. Me baseei nas histórias, comentários e reclamações que já ouvi. Não é uma regra, óbvio, mas com certeza é no mínimo predominante o que vou dizer.
A amizade entre as mulheres é diferente. Parece um pouco mais intensa, mais expansiva, mais barulhenta. E tem algo esquisito que nós homens não entendemos: Elas parecem precisar de uma “realimentação” constante. Quando um homem julga outro como Amigo, ele o põe na “gaveta dos amigos”. Lá, a pessoa fica até que faça algo para “desmerecer” aquela posição. É como batismo, como pegar catapora, ou fazer circuncisão, depois que atinge essa etapa, você simplesmente "É". Você viveu aquilo e não há mais como voltar atrás.
Com a maior parte das mulheres não, a amizade é quase sempre em extremos. Elas não são amigas, elas estão amigas. As vezes, vejo até algumas mulheres se sentindo mais cobradas por outras “amigas” do que pelos seus próprios maridos ou namorados. É sufocante, forçado, não natural e as vezes muito feio. Existe uma cobrança e uma hierarquia para tudo, desde “quem sabe do namorado primeiro", até “quem não foi chamada para a viagem” ou “se ela vai eu não vou”. É estranho ser amigo assim. É meio caricato e com certeza muita gente já se incomodou lendo isso.

Já vi também muita mulher prestando contas à outras, ou então não sabendo como dizer um simples “não”, “não quero ir hoje”, “prefiro o amarelo”, “hoje vou sair com outras amigas” ou mesmo um "para de falar”. Tudo é mais difícil, subjetivo e dúbio entre elas. É como viver numa constante sensação de estar pisando em ovos ou uma preocupação contínua com o manter, que deveria ser consequência. Quando elas não se falam por algum tempo, elas “esfriam”. Deixam de ser amigas confidentes como foram outrora. É como uma fogueira que não foi alimentada com lenha e depois de um tempo não tem mais calor, se apaga.
Interessante, complexo e cruel esta lógica onde o seu lugar não basta ser conquistado, mas precisa ser mantido, defendido como uma terra que a qualquer momento pode sofrer uma invasão do império romano. Você nunca é, mas está. E por mais que elas neguem isso a nós, jamais poderão negar a elas mesmas o quão estão cansadas, o quanto isso machuca, o quanto isso decepciona e esfria...
Para escrever esse texto, me obriguei a listar num papel o nome de umas 15 mulheres que conheço e que legitimem minha análise. Foi fácil. A saída agora é argumentar dizendo que eu estou generalizando, aposto 1 real.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Sobre a Tristeza



Como já dizia o poeta, "É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe".
Quem sou eu na fila do pão para desmentir Vinícius de Moraes?

Mas mesmo assim, é preciso entender qual a importância da tristeza. É necessário respeitar sua profundidade, que na maioria das vezes está ligada à sensibilidade.

Eu ainda me sinto triste quando vejo alguém sofrer, mesmo que a pessoa mereça. A experiência do sofrimento dos outros me entristece, porque o sofrimento é ruim. E essa sensibilidade me engrandece como pessoa, porque me lembra que ainda não me tornei indiferente aos outros.

Eu me sinto triste quando fracasso, principalmente quando sei que poderia ter me esforçado mais. E ter essa consciência me melhora como pessoa porque ela me dá a chance de fazer melhor e me superar da próxima vez.

Eu me sinto triste quando lembro com saudade das coisas boas do passado, mas lembrar das coisas do passado, me faz valorizar toda a caminhada que percorri pra chegar onde estou agora, mesmo que talvez não esteja como ou onde gostaria.

O que estou tentando fazer, é mostrar que existe sim beleza na tristeza. A tristeza tem uma beleza que nos eleva em nossa condição humana. Eu sinto tristeza em não poder viver por centenas de anos e poder conhecer milhares de lugares diferentes. Essa tristeza me desafia a valorizar mais os poucos dias de vida que tenho e me desafia a querer viajar o máximo de vezes que eu puder.

Então, é realmente importante deixar um lugar para a tristeza em nós. Normalmente, a primeira reação que temos ao nos sentirmos tristes é lutarmos contra o sentimento. Saímos correndo desesperados em direção aos pensamentos felizes, pra tentar fazer com que eles nos distraiam da nossa infelicidade. Mas acho que ao longo do processo, comecei a entender que há tristezas que precisamos viver, não rejeitar.

Eu já perdi um longo relacionamento e me sinto triste por isso, perdi grandes amigos porque a vida nos afastou ou porque me isolo, e me sinto triste por isso, não tive a presença do meu pai como gostaria de ter e não tive o privilégio de conviver mais com minha mãe como a maioria das pessoas tem, e me sinto triste por isso. Essas são tristezas que, apesar de doerem, me colocam em posição de crescimento, amadurecimento e enfrentamento da minha realidade. São tristezas que jogam um feixe luz em quem eu sou e por isso, são bonitas. Eu não fujo delas, porque elas me ajudam a ter consciência de mim e da minha vida.

Vivemos tempos onde ser menos do que feliz é inaceitável. As redes sociais que aproximam pessoas que um dia já foram inalcançáveis, vende um padrão de vida onde só existe felicidade o tempo inteiro. Boas comidas, bons carros, viagens perfeitas, bens materiais caros, cobiçados pela maioria, relacionamentos perfeitos, um padrão digital de viver a vida.

A felicidade é a terra prometida, o lugar onde estaremos bem. Lá termina a nossa busca incansável pelo propósito de vida e finalmente teremos todas as respostas para nossos vazios interiores. A inevitável consequência dessa expectativa é o seu oposto: a felicidade vira uma obrigação e logo passa a ser uma pressão, que passa a nos oprimir. E a felicidade, que era o meu lugar de salvação, passa a ser o meu inferno, porque me aflige. Eu preciso ser feliz! E essa obrigação me faz cada vez mais miserável.

Para sair desse status quo, nossa sociedade começa a produzir bens de consumo que me vendem essa tal felicidade. Produzem a redenção da minha tristeza, a salvação do meu inferno. Me vendem a propaganda que o celular tal me fará mais feliz, que jantar em tal restaurante me trará felicidade, que comprar uma casa nos EUA tornará a minha vida mais feliz, desde que tenha uma Ferrari na garagem. E obcecados pela felicidade como estamos, compramos tudo o que queremos mas não podemos. Até o dia que percebemos (se é que percebemos) que a nossa felicidade não está ligada ao nosso poder de compra. O poder de consumir é só mais uma obrigação que faz a minha vida ser miserável, porque eu não tenho dinheiro para comprar tudo o que gostaria para ser feliz.

É uma armadilha. Quando a felicidade se torna uma obrigação, ela é maldita. Quanto mais me sinto obrigado a ser feliz, mais me torno miserável.

A tristeza me torna capaz de perceber a felicidade. Sem a tristeza eu não teria uma régua para atestar a diferença da alegria e da dor. A tristeza, por não vender ilusão e por não ser uma delícia, também não vira uma obsessão: eu não quero estar triste sempre. Isso me traz saúde emocional. Já a felicidade, por ser uma delícia, pode se tornar uma obsessão e, quem quer ser feliz o tempo todo e a qualquer custo, acaba perdendo sua saúde emocional porque ficou obcecado.

Acomodar a tristeza de não ter todas as respostas para as perguntas da vida, acomodar a tristeza de ter vazios interiores impreenchíveis, acomodar a tristeza de não conseguir encontrar um propósito em tudo, acomodar a tristeza da finitude da vida, acomodar a tristeza de conhecer apenas verdades precárias, acomodar a tristeza de possuir convicções provisórias, acomodar a tristeza de errar, acomodar a tristeza de não poder ajudar a todos, acomodar a angústia que toda essa tristeza gera em mim.

Acomodar a tristeza e a angústia são parte da vida humana, e fugir dessa tarefa, só tornará mais difícil a experiência de viver. E aquele que conseguiu acomodar a tristeza e a angústia sem se deixar vencer por elas, já teve uma experiência profunda com a felicidade.

Eu ainda não consegui isso por inteiro, porque ainda estou no meio.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

O Privilégio da Saudade



A saudade quase sempre, é percebida como um sentimento negativo, triste, e de dor. Realmente essa pode ser uma forma de percebê-la, mas depende muito das causas e circunstâncias da perda, despedida ou ausência.

No entanto, existe outras formas de perceber a saudade, e uma delas é a lembrança de que, naquele momento, a nossa vida valeu à pena. Naquele momento, a nossa vida teve um sentido. Quem sente saudade tem história para contar. Quem sente saudade, tem a companhia das lembranças doces.

Por esse motivo, a saudade pode ser percebida, também, como um sentimento de alegria, motivo de uma profunda felicidade.

Eu sinto saudades, por exemplo, de minha mãe, de meu avô, dos meus amigos de escola. Da época em que minha família era muito mais unida e nos reuníamos mais, da época em que cresci na igreja, dos meus amigos de adolescência. Essa saudade, contudo, é uma página bonita da minha história. Eu me visito dela em dias tristes, para lembrar que também já vivi dias alegres.

A saudade ajuda a equilibrar a balança.

Talvez você sofra de uma saudade irreparável, uma perda trágica, uma despedida inesperada, uma saudade que não pode ser lembrada com nenhuma alegria. Nesse caso, eu entendo e respeito o seu sentimento porque também sofro desse tipo de saudade e viver isso, posso lamentar, com o coração apertado por você.

Mas falando pra você e pra mim principalmente, é possível que você nós precisemos reajustar a nossa forma de perceber a saudade, de olhar a saudade. Um ajuste das lentes do nosso óculos. Talvez só precisemos apenas senti-la de forma bonita, deixando toda a dor para trás.

A saudade até pode causar alguma dor, mas é importante reconhecer nela, a alegria de sentir falta. Pois eu só sinto falta do que amei. Então o que é a saudade, senão a prova de que eu tive experiências com o amor? Não perceber a alegria dessa constatação é a verdadeira dor. Não ter memórias de amor é a verdadeira infelicidade.

Seja como for, eu desejo pra mim, e pra você ainda mais, que você sinta saudades. Desejo que as suas saudades contem todos os dias de pura beleza da sua existência.
E mais que isso, que possamos plantar boas memórias para que as pessoas se alimentem delas, quando não estivermos mais no jardim da vida.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Não Alimente Suas Expectativas Com a Ração Errada


De um dos meus poetas preferidos, vai um conselho: 
“Ao que nada espera, tudo que vem é grato”.
Ou a sabedoria urbana:
"O menos sempre é mais: menos expectativas, mais surpresas".
Por muito tempo, venho tentando usar isso para me ajudar numa fraqueza, Ansiedade.

A ideia era bem simples: Se o problema era lidar com a espera, com a expectativa, com a vontade, então, deixar de desejar as coisas com tanta intensidade aniquilaria o problema. Me tornar alguém que “não espera nada”, faria de mim um cara mais feliz com “qualquer coisa que viesse”. Houve momentos em que eu esperava algo e me aconselharam a “não cria expectativa”. Ou mesmo quando recebi uma boa notícia, me disseram “tá, mas para se proteger, não conte sempre com isso”.

Por muito tempo fui a pessoa que dava esse tipo de conselho pros que estavam próximos a mim. Mas, faça o que eu escrevo, mas não faça o que eu faço.
Na infância, sempre alimentei expectativas, e sempre me frustrei por não se concretizar aquilo que eu esperava, e criei mecanismos, regras internas, critérios. Nunca vou saber se isso foi bom ou ruim.
Mas espera ai, você acha que não tem nada de errado nesta lógica? É isso mesmo? Acredita mesmo que a melhor maneira de lidar com as frustrações é não permitindo que elas aconteçam? Resolvi tentar me libertar deste mau vício e não está sendo nada fácil. Isso porque agora abracei um método mais maduro(versão 2.6), porém muitas vezes dolorido: Deixar de me fazer de ninja que desvia das pontudas frustrações, e passar a desenvolver maturidade para enfrenta-las quando elas acontecerem.
Frustrações são processos pedagógicos para o amadurecimento.

Posso explicar. Viver se privando de grandes expectativas é abrir mão da alegria do “antes”. O nervosismo de antes do primeiro beijo na pessoa amada, já é o beijo acontecendo dentro do peito. E isso é lindo. A tensão antes de falar para um público grande como um seminário ou uma palestra ou uma pregação na igreja, é positivo. Um mecanismo de defesa para te deixar alerta, focado e com sede de se preparar para o desafio.
Não se permitir desfrutar de uma ansiedade saudável, por medo, é ser covarde. É empobrecer a vida. O grande lance aqui não é boicotar as frustrações mas sim entender que, a despeito delas, a vida seguirá o percurso normal. E seguirá igualmente boa e inundada num loop infinito de possibilidades! O grande lance é entender que mesmo que aquilo desse certo e acontecesse, ainda assim, não seria o motivo do sucesso ou fracasso de todo o projeto. Seja a espera por uma resposta de emprego, a aflição do seu time para se classificar no campeonato, a expectativa pro resultado do vestibular, um grande amor ou mesmo o seu aniversário... Tudo isso é PARTE, não mais que isso. Os grandes problemas da sua vida não sumirão quando você conseguir em fim comprar o tal carro, ou fazer a tal viagem, ou ter tal versão do iphone.

E hoje eu estou entendendo melhor isso, eu que preciso me fazer sentir completo. Não no sentido de autossuficiência como alguém que não precisa das outras pessoas. - JAMAIS! A vida, assim como o evangelho, é relacional. Mas no sentido de estar saudável para esperar algo que complemente, que transborde, não que me complete. Sendo então eu o maior responsável pela minha felicidade, eu desobrigo as outras pessoas dessa árdua tarefa e, mais do que isso, faço de mim mesmo alguém mais leve para recebe-las em minha vida. Dando a proporção certa a tudo, me torno livre para desfrutar da saudável ansiedade que os pequenos acontecimentos do dia a dia me proporcionam sem que isso pare o meu dia, e sem que eles, caso não aconteçam, me deixem devastado. Para quem aprende a encontrar boas coisas nos momentos de frustração, a reversão de expectativa vira aprendizado e mais do que isso, “tudo passa a ser importante e único, da maneira como foi”.

Então crie sim expectativas.. Pense em como seria legal se aquilo que estava esperando desse certo.. Imagine as situações.. Curta tudo isso desde o antes. Só não morra se não acontecer. Ansiedade pode ser bonita quando representa seriedade no que está sendo feito. Inquietação e palpitação do peito pode ser bonito quando representa sentimentos bons pelo outro. Agitação pode ser bonita quando precede uma surpresa. Nervosismo pode ser bonito nos bastidores que antecede um sorriso.... mas “não esperar nada para ser grato a qualquer coisa que vier”, aí não. Isso é se contentar com migalhas... Fabrício Carpinejar fala que “o que ama sozinho, na ausência de atitude do outro, se contenta com qualquer sinal”... Olha ai que triste! É como um atleta que entra sem a expectativa de pódio, pois “o que vier será lucro!”. Que lucro pobre é esse? A vida é boa e se contentar com qualquer coisa está fora de questão.


Se você parou de alimentar expectativas porque se frustou na maioria delas, talvez você esteja alimentando as expectativas com a ração errada.

domingo, 12 de maio de 2019

Dia das mães

Me lembro da ansiedade em te encontrar depois da aula, me esperando ao lado de fora do portão do colégio acampamento de anjos, mãe. Quando você me deixava no colégio, eu chorava com medo dos colegas mais velhos que eu, numa sala que eu não deveria ficar mas estava por ser adiantado na turma, mas chegando o horário da saída eu ficava imaginado seu abraço e seus beijos, porque àquela altura já estava morrendo de saudades, era o que eu mais queria.
Amava os dias de chuva porque sabia que a tarde assistiríamos televisão embaixo do cobertor, tomando chocolate quente ou brigadeiro. Nunca mais senti uma sensação de paz e proteção tão perfeitas como sentia naquelas tardes com você.
Me lembro dos puxões de orelha pra eu estudar, dos ensinamentos de como arrumar a cama, dobrar o lençol, escovar os dentes, a torcida na minha aula de karatê, me lembro dos presentes mais engraçados que eu inventava e te dava de dia das mães, você sempre fez as coisas mais legais e divertidas comigo, sempre foi a minha maior incentivadora.
Eu achava o máximo quando me dizia que eu era o homem mais lindo do mundo. Acreditei por pouco tempo, mas gostava de te ouvir dizer isso. 
Passamos por dias difíceis quando ficou doente. As coisas que a gente fazia juntos eu até fiz só, mas nunca teve a mesma graça, não era pelo prazer de fazer coisas legais, mas pelo prazer de fazer ao seu lado, com você. Você tornava saborosas as experiências mais difíceis. Saiba que é com a sua força e fibra que nos meus 19 anos sem você, busco o aprender a enfrentar a vida, e que até hoje me inspiro em você contra os dias ruins.
É difícil, muito difícil, mas tenho tentado.
Eu te agradeço por todo ensinamento que me passou em mais ou menos 7 anos de convivência, por ter transmitido pra mim, muitos valores que foram fortalecidos ao longo desses anos. 
Te agradeço por ter ficado incondicionalmente, ao meu lado, me dando a honra de ser seu filho. São as lembranças lindas que tenho de você que me dão o apoio e que me faz ter vontade de seguir em frente, porque se eu não tivesse mais ninguém e você estivesse aqui, ainda teria você, e isso era o suficiente pra mim. Obrigado por ter me amado com o amor mais sincero que conheci.
Queria que estivesse presente pra curtir e compartilhar tudo o que escrevo no Facebook com um ar corujeiro de mãe, que estivesse na igreja me vendo vencer a timidez e tocar violão, e até pregar, com certeza não teria nenhuma fã como você . Ia ficar com vergonha das fotos antigas que comprometem minha dignidade e que você postaria todas sem dó.
Sinto sua falta. Tenho saudades. Saudades de tudo.
Hoje é um dia não tão legal assim.
O meu dia das mães nunca mais foi e nem será o mesmo.
Esta é minha homenagem a você hoje. Feliz dia das mães.
Mãe, sem você o mundo perdeu a melhor e a mais linda mãe de todas. 
Eu te amarei sempre Mirian Soriano!

Obrigado por ter me dado a oportunidade de ter vivido contigo, mesmo que por pouco tempo...

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Quando vale a pena

A palavra "Pena" vem de do grego "poiné" (ποινή),  era o dinheiro dado por um assassino à família de sua vítima como se fosse uma indenização. Quando a quantia era alta, falava-se que fulano “valia a poiné”. O equivalente em latim, "poena" (deusa do castigo), virou um sinônimo dos tipos de punição aplicados por juizados civis. Um assassino cruel que era punido duramente, tinha uma lista de crimes que “valia a poena”. Na França antiga, se usava essa expressão para alguém bem remunerado. Aquele que trabalhasse muito, ou aquele que se sacrificasse na árdua função, este era alguém que merecia o que ganhava, este “valia a pena”. No Egito antigo, segundo o Livro dos Mortos, o defunto que almejasse o paraíso deveria ter o coração pesado numa balança e suas boas ações deveriam fazê-lo atingir o peso de uma pena de avestruz. Precisava então, viver a vida de modo a “valer a pena” no final.

Para mim, algo que realmente “vale a pena” significa aquilo que a despeito das perdas no caminho, apesar dos prejuízos atrelados ao processo, mesmo que o durante venha a machucar... ainda assim, mesmo com todas essas PENAlidades, o saldo é positivo e o esforço é legítimo.
Sejamos mais práticos.
Atualmente, pela minha balança, vale a pena regular a pressão do coração, fazer check-up médico com frequência, cortar açúcar e carboidrato, diminuir a gordura no corpo pra viver mais alguns anos de vida com qualidade, vale a penosa tarefa de ir correr toda semana ou ir à academia, beber mais água e comer hambúrguer com menos frequência, comer menos doce, enfim, mudar hábitos alimentares e a rotina, para ter uma vida mais saudável. Pela minha balança, vale a pena reorganizar a carga horária de trabalho de maneira a aproveitar mais a familia e os verdadeiros e amigos, e vale o corte de gastos. Pela minha balança, vale a pena abrir mão de todas as mulheres do mundo para poder, lá na frente, ter uma com quem rir lembrando de histórias antigas construídas à dois. E ainda que isso envolva repensar e renegociar preferencias minhas até aqui,  ainda assim, pra mim compensaria. Pela minha balança vale a pena entender que crescer é também trocar de fase. Deixar de viver a vida que vivia quando era 5, 10, 20, 30 anos mais novo e passar para a próxima fase. Isso significa substituir as fraudas e as festas por novas peripécias mais relevantes e verdadeiramente desafiadoras. Juntar dinheiro para uma grande viagem ou algo que queria muito comprar, vale "não-comer" fora neste final de semana. Se aventurar pensando como será se a sua religião não for “a certa”, vale a tentativa de ser menos prepotente. Um dia no Sol vale um sorriso. Algumas horas de estrada valem um sorriso. Um filme de um artista que não é o seu preferido, vale um sorriso. Ver, fazer alguém sorrir, vale a pena.

Não concordo com muitas coisas que os egípcios fizeram, mas achei bem interessante esse negócio de pena de avestruz...

sexta-feira, 1 de março de 2019

Perfil Musical

Este humilde texto, era pra ser uma pequena brincadeira sobre os vários tipos de mulheres. Porém no meio do caminho havia uma pedra, havia uma pedra no meio do caminho. Percebi que seria um caminho perigoso demais, um caminho sem volta. Então descobri que existe uma outra família tão perigosa quanto, e esta sim, seria uma ousadia catalogar: Os Músicos.

Pra começo de conversa existem os músicos iniciantes, aqueles que não sabem nada de nada. Em seguida, aparecem os “chatos de churrasco” ou os
 "músicos de uma nota só". Estes também não sabem nada mas já criaram uma certa confiança depois de aprender a terceira musica no violão (do Legião Urbana). São realmente inconvenientes e incansáveis.

Temos então os músicos “da primeira banda”. É quando três ou quatro desses do parágrafo acima se conhecem e se juntam com o objetivo de errar coletivamente. Lembre-se: “Um elefante incomoda muita gente, dois elefantes incomodam muito mais. Três incomodam...”.

Mais adiante, eles se dividem em nichos E
ruditos e Populares. Eruditos são os caras que demoram pra arranjar namoradas porque tocam apenas musicas barrocas e/ou renascentistas mesmo vivendo em 2019. As vezes são muito arrogantes – salvo algumas exceções. Porém como os pókemons, muitos evoluem à qualidade de maestros – estes sim são arrogantes sem exceções.

Populares São aqueles que não estudam e por isso nunca se acertam com os eruditos, pois eles estudam muito enquanto nós meros mortais estamos dormindo. Entre os populares existem:

a)Pop - Com algumas dificuldades e limitações técnicas, tocam na noite e tem uma certa visibilidade. Acham que já são famosos, verdadeiras estrelas, e desdenham dos jazzistas (que são os eruditos do mundo pop, mas adiante veremos).
b)Sambistas - Carregam uma parcela da história da nossa terra. São cultura viva. Sofrem muito com a proximidade e semelhança dos pagodeiros - que nunca serão...
c)Jazzistas - Tocam musicas do século passado e se acham melhores do que todos os outros, eruditos ou não. Se julgam a vanguarda da teoria musical. Assim como os maestros, são de uma prepotência invejável. Tudo soa jazz e igual com eles. P.S.: são ainda os que ganham menos na escala richter.
d)Rockeiros - Muitas vezes são os que andam sujos e de preto. Medimos a quantidade de dissonâncias que eles conhecem pelo tamanho do cabelo. Quanto mais longo, mais selvagem e indomado serão.
e)Tribais - Aqui tem de todo tipo, desde cabelos engraçados a colecionadores de guitarras, fãs do Iron, maconheiros, Djs (estes sem comentários) e por ai vai.
Cantores: Basicamente são dois grupos. Feios(as) bons(as) e bonitos(as) ruins. Os(as) bonitos(as) bons(as) estão ricos e os feios(as) ruins foram para a pecuária.
Este é um pouco do mundo maluco dos músicos. Existem algumas outras categorias que gostaria muito de pontuar 
mas seria uma irresponsabilidade(que irei cometer em breve).
P.S.: é tudo brincadeira, na verdade nem existe nada disso.

Na verdade terá a "Parte 2" dissecando sobre os vários tipos de músicos do meio "gospel"
                                                              #POLÊMICA